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Estilos de Musicas de Cabo verde

 

Funaná é um género musical de Cabo Verde originário da ilha de Santiago com acordeão. Diz-se que a origem do termo "Funaná" vem de um homem que se chamava Funa e tocava gaita (acordeão) e de uma mulher chamada Naná que tocava ferrinho. O "Funaná" nasceu no interior da Ilha de Santiago, na República de Cabo Verde. Antigamente, qualquer que fosse a festa (um casamento, um baptizado, uma festa religiosa) era sempre ao som do "Funaná".

De acordo com pesquisas feitas junto de pessoas mais velhas, em algumas localidades do interior de S. Tiago, o Funaná antigamente era chamado de 'badjo di gaita'. O movimento mais lento era chamado de Samba (de acordo com uma demonstração feita por um senhor com cerca de setenta anos, o Funaná dançava-se como o Samba era dançado antigamente no Brasil).
De S. Tiago, o Funaná viajou para as outras ilhas onde é muito apreciado. Dança-se aos pares com movimentos do quadril cadenciados, sensuais e vivos.

 

A Morna é uma forma musical de Cabo Verde. Este género musical tem por espinha dorsal a "Sodade" - Saudade. Tradicionalmente tocada com instrumentos acústicos, a morna reflecte a realidade insular do povo de Cabo Verde, o romantismo intoxicante dos seus trovadores e o amor a terra (ter que partir e querer ficar).

Nos últimos anos a morna foi imortalizada pelas célebres cantoras Cesária Évora e Fantcha nomeadamente em Paris e nos Estados Unidos; O timbre da voz destas duas divas tem conquistado e alargado o público da morna de Cabo Verde a L'Olympia a Carnegie a Hollywood Bowl ao Canecão.

 

A Tabanka (tabanka em crioulo cabo-verdiano) é um género musical e uma manifestação cultural de Cabo Verde.

 

A Mazurca é uma dança tradicional de origem polaca, feita por pares formando figuras e desenhos diferentes, em compasso de ¾ e tempo vivo. Característico é o ritmo pontoado, com acento típico no 2º e 3º tempo do compaso. Mazurca é semelhante com Oberca, que é a variante muito rápida. Mazurca era frequentamente utilizada pelos compositores da Polónia da era romântica, como Chopin, Moniuszko ou Wieniawski. Na Polónia ja não se dança a mazurca, mas em Cabo Verde ainda hoje é dançada e tocada em quase todas as ilhas com incidência nas de St. Antão, S. Nicolau e Boavista. No Fogo existe o Rabolo, que é uma variante da Mazurca. Tornou-se também tradicional dançar-se mazurca no condado de Nice na França.

 

O Batuque, de origem africana, que surge em Cabo Verde provavelmente só na ilha de S. Tiago (existente também no Brasil, através da ida dos escravos, e nos Açores, na ilha de S. Miguel), é executado num ritmo de tempo binário mas de divisão ternária, marcado pela percussão das 'tchabetas e palmas' acompanhadas pela cimboa monocórdica, às quais se juntam o canto e a dança.

Dizem que o Batuque é uma variante do ritmo de San Jon. Esta teoria tem a sua razão de ser na medida em que o Batuque, inicialmente de ritmo binário, (no Brasil este ritmo manteve-se) isto é, num compasso binário simples de dois por quatro, transformou-se no mesmo ritmo de San Jon que é o compasso composto de seis por oito, pois são compassos correspondentes, cada compasso simples corresponde a um compasso composto e vice-versa. No San Jon o andamento é mais acelerado e a poliritmia é mais complexa.

 

O Finaçon é uma melopeia que consiste num encadeamento de provérbios ou assuntos do quotidiano, declamados, com inflexões vocais, no ritmo de batuque, quase sempre improvisados no momento e normalmente cantado por uma mulher. Esses improvisos podem arrastar-se durante horas.

 

A Tabanca da ilha de S. Tiago (também existente na ilha do Maio), é um agrupamento muito complexo, provavelmente de origem africana.
O ritmo da Tabanca é binário, executado por tambores, cornetins e búzios, estes geralmente em três registos diferentes (grave, médio e agudo) responsáveis pelo ostinato rítmico-melódico, cuja tessitura geralmente é de uma sexta.

 

A Valsa, também no ritmo ternário com o primeiro tempo acentuado, é de origem francesa, baseada na galharda provençal que se dançava dando voltas (donde valsa) com o corpo. Os alemães atribuem a sua origem na Allemande (forma musical). Os austríacos, sobretudo os vienenses, cultivaram-na a tal ponto que graças aos compositores Strauss, se tornou numa dança quase nacional. Em Cabo Verde esta foi muito cultivada pelos músicos e compositores podendo, ainda hoje ouvir-se algumas das valsas antigas ou mesmo feitas pelos músicos actuais.

 

A Coladeira, no ritmo binário e de andamento mais moderado que o Funaná, segundo alguns caboverdeanos, apareceu nos anos cinquenta em Cabo Verde. É tocada e dançada sendo também companheira das noites caboverdeanas. É chamada, por algumas pessoas mais velhas, de 'Contra-Tempo', apesar de o termo 'Contra-Tempo' significar fora de tempo, em que a acentuação cai no tempo fraco.

A Coladeira varia no ritmo, de acordo com influências sofridas, sobretudo das músicas latino-americanas e brasileiras e mais recentemente o Zouk, este último muito apreciado pelos jovens nas discotecas.

O Kola San Jon é o Jogo dos tambores e dos apitos no dais de São João, ligado ao ritual da fertilidade da terra no solestício de verão. Os pares batem-se cadencialmente entre si. Dança da Umbigada.

 

Outro género cultivado em Cabo Verde com tendência para o esquecimento, diz respeito à geração infantil. Aqui encontramos as Cantigas de Roda e as Lenga-Lengas cantadas, ou em forma de jogos rítmicos, com percussão corporal.

Quem não se lembra das lenga-lengas "Una duna trina catari­na barimbau são dez..." ou de "Doll in dol fatatitiná..." ou ainda da cantiga de roda "A vida do marujinho" dramatizada por tantas crianças, e muitas outras mais, que as deleitavam nas noites de luar em que a televisão não fazia parte das suas vidas, nas ilhas?

É verdade que muitos podem dizer, e têm dito, que elas não nos pertencem, porque são portuguesas e/ou de outra cultura. Porém acabaram por se tornar numa "coisa nossa". Foram adoptadas pelos nossos tetravós e bisavós e muitas delas foram recriadas como é o caso de "pirolito qui bate qui bate" à qual se acrescenta uma estrofe em crioulo. Tornaram-se nossas, tal como os instrumentos de corda que utilizamos para tocar a nossa música: o violão, o violino, o cavaquinho, etc, que vieram de fora e que acabaram por ser perfilhados.

 

Os instrumentos musicais

 Os instrumentos tradicionais utilizados na música cabo-verdiana dividem-se em cinco grupos:

  • Idiofones: reco-reco, chocalhos, ferrinho, panos.
  • Membrafones: tambores, bateria, percussão.
  • Aerofones: flautas, búzios, instrumentos de sopro.
  • Cordofones: violino, violão, cavaquinho, cimboa, guitarra portuguesa.
  • Electrofones: órgão eléctrico, guitarras eléctricas, sintetizadores.

 

 

 

 

 

 

 

 

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