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Demografia de Cabo Verde

 

Os cabo-verdianos são descendentes de antigos escravos africanos e de brancos vondos principalmente de Portugal, sendo a população cabo-verdiana maioritariamente mestiça. A emigração faz parte da realidade do arquipélago, pois mais de metade da população vive fora do país.

A população residente, resultante de uma mestiçagem entre colonos europeus e escravos africanos que se fundiram num só povo, o crioulo, representava, segundo estimativas do Instituto Nacional de Estatística de Cabo Verde, cerca de 480.000 habitantes em 2006 numa proporção de 48 por cento de homens e 52 por cento de mulheres. Nos meios urbanos concentra-se a maior parte da população (55 por cento da população), Santiago é a ilha mais populosa, com mais de 50 por cento dos habitantes, seguindo-se São Vicente (15 por cento) e Santo Antão (11 por cento). Instalados em 4.033 km2, o que resulta numa densidade populacional média de 119 Habitantes/Km2. População essa composta por três grupos étnicos, se assim se pode chamar, Mestiços (71 por cento), Africanos (28 por cento) e Europeus (1 por cento).

Essencialmente jovem na sua estrutura etária, com 40 por cento dos efectivos entre os 0-14 anos (estimativa de 2005) e apenas 6 por cento acima dos 65 anos, a média de idades da população cabo-verdiana ronda os 24 anos.

A esperança média de vida, que em 1975 rondava os 63 anos, atinge, em 2003, os 71 anos (67 para homens; 75 para as mulheres). A taxa de mortalidade infantil, que em 1975 estava à volta dos 1100/00 nascimentos vivos, representava, em 2004, um valor de 200/00 (440/00 em 1990; 260/00 em 2000), valor inferior às taxas de outros países de categoria de rendimento semelhante.

A taxa de crescimento da população, dependente dos fluxos migratórios, situou-se, no decénio 1990-2000 (data do último censo populacional), em cerca de 2,4 por cento, valor que se manteve constante até 2005. De aí em diante se prevê que a mesma estabilize em torno dos 1,9 por cento. Os agregados familiares, em 2006, eram constituídos, em média, por 4,9 membros (5 no meio rural e 4,5 no meio urbano).

Devido à escassez de recursos naturais e à pobreza económica da terra cabo-verdiana (solos pobres, seca, entre outros) desde cedo a emigração se converteu na única saída para o povo destas ilhas, de tal forma que a população cabo-verdiana imigrada de primeira geração deverá rondar os 500.000, número equivalente à população residente. Considerando os indivíduos nascidos nos destinos de emigração poderemos contar com um número próximo dos 800.000 indivíduos.


O fenómeno migratório cabo-verdiano envolve um número significativo de núcleos espalhados por três continentes: África, Europa e América do Norte. Se do ponto de vista absoluto o conjunto das populações de origem cabo-verdiana no exterior é relativamente reduzido, quando comparado com outras grandes diásporas mundiais, a sua dimensão relativa (superior à população residente no próprio país) e o seu grau de dispersão tornam-na um caso interessante.

Contudo, também no âmbito das estratégias de consolidação política e económica do império colonial português os cabo-verdianos assumiram um papel relevante. Na Guiné foram utilizados como mão-de-obra criando condições para a posterior instalação de colonos. Em São Tomé e Príncipe (e Angola nos anos 40-50) constituíram parte significativa da mão-de-obra que desde o terceiro quartel do século XIX permitiu a instalação das plantações, sobretudo de café. Finalmente o maior nível de escolarização dos cabo-verdianos tornou-os uma componente fundamental dos funcionários que integravam o sistema de serviços públicos e administração colonial portuguesa nos actuais PALOP.

Se a emigração cabo-verdiana para os países de África assume um carácter forçado, já para os Estados Unidos, iniciada em finais do século XVII, relaciona-se com a passagem dos baleeiros americanos pelos portos do arquipélago fixando-se em actividades industriais e agrícolas, em cidades como New Bedford.

As restrições impostas à emigração para os EUA levaram à pesquisa de novos destinos com destaque para a Europa Ocidental onde os elevados níveis de crescimento do pós-guerra justificavam o recrutamento de mão-de-obra exterior. Portugal serviu de plataforma giratória para outros países como Holanda (Roterdão) e mais tarde França, Luxemburgo, Itália e Suíça. No início dos anos 70, Espanha tornou-se também um destino de preferência, nomeadamente na zona mineira de Léon, Madrid e Galiza.

Estima-se que entre 1963-1973 mais de 100.000 cabo-verdianos tenham deixado o seu País.

Principais Destinos da Emigração: EUA: 250.000 (Boston, New Bedford); Portugal: 100.000; Distrito de Lisboa (Lisboa, Amadora, Loures, Oeiras), Distrito de Setúbal (Setúbal, Sines e Santiago do Cacém), Porto e Faro; Holanda: 37.500; Angola: 35.000; Senegal: 22.500.

 

 

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